A magia do Deserto do Atacama, Chile



Por: Emanuele Campelo
Ah... O Atacama! Sou muito suspeita para falar do Atacama. É uma paixão quase visceral, sinto como se fosse o chamado de Pachamama ou talvez as cores do deserto, as estrelas cadentes, o Licancabur, o vulcão mais lindo que já vi. Provavelmente uma mistura disso tudo!
Quem escolheu esse destino foi meu esposo e, de coração, não esperava muito dessa parte da nossa viagem. Depois iríamos para Ilha de Páscoa ver os lindos Moais. Mas o Atacama me conquistou.
O Atacama foi o lugar mais fantástico que já visitei em minhas viagens que abrangem Ilha de Páscoa, Camboja, Laos, Vietnã, Tailândia, entre outros. Não que os outros não sejam fantásticos também, mas o Atacama é mágico. Mágico pelas pedras que cantam no Vale da Lua ou pelos cachorros gigantes que andam na rua de chão batido. Restaurantes coloridos e surpreendentes mais do que aparentavam quando se espiava pela porta. Boa comida, hospitalidade, exotismo, redemoinhos de areia, águas ferventes que brotam no chão, lagoas e montanhas dignas daquelas das meditações de aulas de yoga. Sempre que sinto um aperto no coração minha memória me leva até lá.
Estrelas cadentes são diárias. Sim, no plural. O céu mais limpo e lindo do mundo. Não é a toa que o projeto ALMA lá se instalou. Acho que é por ai, o Atacama toca sua alma, desculpe o trocadilho infame, mas é muito verdadeiro.
São vales onde se vê o verde brotar em meio à aridez de um dos desertos mais secos do mundo. Onde é possível encontrar construções impressionantes de antepassados que ali viviam nesses vales que a água da geleira corria. Onde a altitude pode ser medida por avistarem-se lhamas, alpacas ou vicuñas e pela pouca vegetação.
Na Laguna Cejar a concentração de sal é tamanha que se flutua, não se consegue afundar. Foi quase como ir ao mar morto, só que com a linda visão do vulcão Licancabur. Falando nele, é um vulcão sagrado onde anualmente se faz uma peregrinação para levar oferendas a Pachamama, a Mãe Terra. Ali você sente que a natureza não te pertence, mas que você pertence a ela.

Outro momento lindo, entre os vários que lá se encontram, foi ver o pôr do sol, nas montanhas. As cores da montanha mudando conforme o dia se despedia e aquele lugar árido, arenoso. Lindo!
No Atacama não se morre, se mumifica. Por isso uma passada no museu é imprescindível para entender mais da cultura daquele povo tão único. Hoje as múmias não ficam mais expostas e isso foi o que achei tocante, pois o guia do museu disse que essa atitude foi tomada, pois as "avós precisam descansar". Faz sentido. Tem fotos, não creio que vê-las ao vivo tornaria de fato o passeio tão mais interessante. Uma ótima atitude que demonstrou o respeito aos antepassados e sendo assim agora a visitação as múmias somente é permitida para os pesquisadores.
Continuando a viagem, quem não se impressionaria ao ver um laser que "toca" o céu, não é mesmo? Um lugar repleto de telescópios, sem prédios, com céu limpo (como em 99,9% do ano no Atacama) e dois astrofísicos para te mostrarem todas as constelações. Esse tour astronômico pode ser contratado por e-mail e além de visões fantásticas e fotos de planetas no final ainda tem um chocolate quente, pois o Atacama faz um frio considerável à noite. Outra surpresa é durante o debate de dúvidas com chocolate quente, ao usar o banheiro. Sim, recomendo-o quase como ponto turístico. Quando lá se entra uma parede é praticamente de vidro, assim como o teto e se vê estrelas além da perfeita reprodução de um quadro de Van Gogh. O máximo!
 
Por tudo isso, quando o editorial do Viajando com Puny me pediu para escrever, demorei. Pois para mim é impossível só listar os maravilhosos pontos turísticos daquele vilarejo. É quase impossível descrever tudo que lá se encontra, é necessário ir, sentir. Só assim a experiência será completa.
Agora que escrevi demais sobre toda essa minha paixão, encantamento e conexão (é quase como se o Atacama fosse um pedaço de minha alma e Pachamama me acolhesse lá), vamos às dicas práticas!

Roteiro para o Atacama na prática:

Saímos por Guarulhos e fizemos escala no Chile indo para Calama. Na viagem o pessoal do lado direito do avião foi agraciado com a visão da Cordilheira dos Andes. Foi um momento "aaaaahhh"! Sim, o avião deve ter até inclinado para aquele lado, além de que quase todo ar disponível sumiu. É lindo!
Ainda durante o vôo (fomos pela LAN), para agraciar o pessoal do lado esquerdo da aeronave (não sei se do lado direito também), se vê as maiores minas de cobre do mundo. É muito grande e vale a visão.
De Calama e seu mini aeroporto pega-se uma van para San Pedro do Atacama. E ali você começa a ver a magia do deserto, na estrada mesmo.
Ficamos no hotel Casa Don Tomas. Eles lavam as roupas gratuitamente, então não precisa encher as malas, até porque no Atacama você não fica suado. O suor evapora mesmo a temperatura não sendo alta. É lindo ver os telhados de um material que parece vime ou mesmo casas sem telhado, já que lá não chove nunca. Por isso as casas são de barro mesmo.
  

Vale a pena visitar:

  
- Mercado de artesanato de San Pedro de Atacama
- Pôr do Sol no Vale da Lua (onde as pedras cantam)
- Laguna Cejar (aquela que você boia igual no mar morto)
- Salar de Tara
- Tour Astronômico (o nome da empresa é Space e consegue-se reservar por email)
- Ojos Del Salar
- Tirar fotos com profundidade nos salares
- Alugar uma bike para ir a Quebrada Del Diablo/ Jerez
- Lagunas de Tebenchique (onde se vê o balé dos flamingos)
- Comer cazuela (um prato típico) e um cachorro quente com molho de palta delicioso (palta=abacate)
- Quem tiver tempo e quiser ir de jipe para o Salar de Uyuni é ali perto.
- Mascar folha de coca ou chupar bala de coca quando for ao Geyseres Del Tatio por causa da altitude (lindo passeio e tem que tomar banho na piscina aquecida, mesmo que esteja -5°C do lado de fora vale a pena).
- Para quem gosta tem trekking nos vulcões (eu não tinha tempo para fazer, mas muito me agradaria. O bom que agora tenho desculpa para voltar )
- Vale da Morte (ou Marte como também é conhecido)
- Visitar os povoados altiplânicos (Caspana, Lasana, Chiu-Chiu e Machuca) onde se vê muito da historia de colonização e como hoje eles são católicos, mas continuam a cultuar Pachamama.
- Pukara (significa fortaleza) de Quitor
- Salar de Atacama e Lagunas Altiplânicas

Gastronomia na região:

Sobre bares e restaurantes indico os seguintes, lembrando que a "propina" - gorjeta - é a parte:
Café Adobe – apaixonada pelo lugar, pedi um "lomo a lo pobre" com um pisco aji verde e depois um pisco sour. Cuidado, com a altitude você fica mais alto também e mais rapidamente;
La Casona – mais romântico;
La Estaka – sanduíche com molho de abacate e o local é lindo;
Paacha – pratos típicos;
Não deixe de visitar todos os estabelecimentos que parecem que não vão dar em nada. No geral eles são lindos e coloridos por dentro!
Os passeios podem ser fechados na rua principal, chamada de Caracoles. É nessa rua que tem também a loja do Tour Astronômico. Ou você pode fechar aqui no Brasil com operadoras de viagem. Fica a gosto.
Nós ficamos somente 6 dias, por isso não visitamos o Salar de Uyuni na Bolivia e não fizemos trekking no vulcão e nem o passeio de bike. Mas os demais passeios conseguimos realizar.
Espero que tenham viajado um pouco também, mas para ter uma ideia real só sentindo e indo lá! Recomendo!
Um grande beijo e até a Ilha de Páscoa!
Manu
Fotos deste post  foram gentilmente cedidas por Emanuele Campelo.

Leia outras matérias sobre o Chile clicando abaixo:
Cabo Horn: navegação severa!
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Leia sobre diversos outros destinos no Chile clicando aqui.

Comentários

  1. Está maravilhosa a matéria de Emanuele Campelo. Um texto bem detalhado, rico e poético! Aprendi muito sobre o Atacama e deu muita vontade de conhecer este lugar encantador!

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  2. Olá Puny, gostei muito do seu blog e gostaria de entrar em contato por email! Você poderia me enviar seu contato? Um Abraço, Natacha

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    1. Olá, Natacha! Enviamos nosso contato através do Facebook. Agradecemos a visita! Um grande abraço, Puny

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  3. Quando foi sua viajem ao Atacama, em que mês?

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  4. Oi, Jeff! Fomos de 10 a 15/03 de 2010. Ainda nao estava tao frio a noite, mas se for visitar os Geysers, leve agasalho, pois la fez -5°C. Abraco, Manu

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