sábado, 24 de agosto de 2019

Mala de bordo para ir a qualquer lugar do mundo


Desde que as companhias aéreas criaram as passagens low-cost, em uma briga pela oferta de passagens aéreas mais baratas, surgiu a possibilidade de adquirir bilhetes sem permissão de despacho de bagagens. 
Se as medidas reduziram ou não as tarifas aéreas, é questionável. Acontece que os passageiros, no meio desta confusão, viram-se com a alternativa de adquirir passagens mais baratas, em contraposição a necessidade de viajar apenas com a mala de bordo.

Por ter trabalhado em companhia aérea por quatro anos no departamento de atendimento ao cliente, conheço muito bem as estatísticas de ocorrências referentes a danos e extravios de bagagens. 

Por isso, há mais de vinte anos procuro viajar, sempre que possível, levando minha mala junto comigo. Esta prática virou quase um hábito para a equipe do Viajando com Puny. Então, as novas determinações tarifárias das companhias aéreas não nos pegaram de surpresa. 

Viajar leve é um assunto que já abordei nesta matéria , quando a fiscalização do peso das bagagens de bordo ainda não era tão rigorosa. Quando a franquia em voos internacionais para América do Norte e Europa, para todas as tarifas, era o piece concept (com duas malas de até 32 quilos), viajávamos leves por opção. 

Por ser vantajoso e favorecer você a:
  • Terminar o processo de desembarque mais rápido, por não ter que aguardar retirada de bagagem da esteira;
  • Ter mobilidade e independência para caminhar levando sua mala/mochila;
  • Embarcar e desembarcar de modo rápido em transportes como ônibus, trams, trens, barcos, táxi, Uber, etc. - ao longo de sua viagem;
  • Guardar sua mala em cofres (lockers) pagando tarifas mais baixas;
  • Não sobrecarregar sua coluna com peso excessivo sempre que precisar erguer ou transportar sua bagagem;
  • Administrar com facilidade seus pertences onde estiver (hotel, casa, apartamento, hostel, cabine de navio, etc.), tanto em armários, gavetas ou mesmo deixando-os dentro da própria mala/mochila;
  • Empacotar e desempacotar os pertences;
  • Além de tudo, não correr o risco de passar pelo desgosto de ter sua bagagem extraviada ou danificada.
Bagagem compacta: facilidade de armazenamento em cofres
Cinco anos depois da matéria abordando o tema Viajar Leve, me aventuro a escrever novamente sobre o assunto, baseada em mais experiência adquirida ao longo do tempo. Pois agora, estamos sendo checados constantemente quando optamos levar nossa mala a bordo. 

A vivência tem mostrado que a fiscalização no embarque e a franquia permitida para levar a bagagem a bordo tem variado conforme a companhia aérea e os trechos  voados (domésticos ou internacionais). 

Este ano observamos que em trechos domésticos no Brasil, apesar de levarmos uma mala com menos de nove quilos, a mesma não foi pesada pela equipe de embarque (GOL). Em um trecho internacional com a LATAM, para os Estados Unidos, ocorreu o mesmo. Nestes casos a franquia de bagagem  de bordo era de até 10 quilos. Em um trecho dentro da Europa, com a Norwegian Airlines, nossa bagagem de mão foi pesada incluindo a mochila ou bolsa (que seria a verdadeira bagagem de mão). No caso da mochila, que continha livros e equipamentos fotográficos, o somatório com a mala ultrapassou dez quilos. Tivemos que pagar o excesso! Em outros trechos aéreos fomos notando que os procedimentos têm variado de trecho para trecho e de companhia para companhia (pegamos também Air France em um voo intercontinental). A boa surpresa foi que no último voo, com a American Airlines, o peso permitido para a bagagem de bordo - de Miami para Guarulhos - foi de 12 quilos. E nesta passagem a franquia permitia despacho de bagagem - quando despachamos uma das malas e levamos a bordo uma "bolsa de emergência" (uma bolsinha que levamos dentro da mala para o caso de necessidade) com alguns itens adquiridos.

Baseada em experiências dos últimos anos, em viagens com durações diversas, temperaturas variadas desde extremo frio ou calor, incluindo ambientes como praia, piscina, navios com festas, cidades grandes ou pequenas, fui experimentando fórmulas de redução de bagagem.

Até que recentemente viajamos por dois meses cada um com uma malinha de bordo contendo aproximadamente nove quilos e uma bolsa de mão/mochila.  

Nosso roteiro incluiu trecho desde o Brasil até Fort Lauderdale, na Flórida. Dezesseis noites em um cruzeiro, com dias quentes na piscina e todo aquele glamour típico das noites a bordo, entre teatro, festas e jantares. Dez dias em uma primavera gelada (desde 0 grau Celsius) nos países nórdicos (Dinamarca, Suécia e Noruega). Sete noites em Paris, com bate-voltas para Bélgica e Luxemburgo. Da Europa seguimos para o Canadá, gastando mais doze dias por lá. Ainda muito frio em Montreal, Quebéc, Ottawa e Toronto, de onde voamos para curtir o verão quente com muita praia em Daytona Beach e o calor típico de Orlando, já na Flórida, nos Estados Unidos. O peso da mala permaneceu com aproximados nove quilos até o fim da viagem. Só em nosso último destino, Orlando, fizemos algumas comprinhas e despachamos uma das malas para o Brasil. 

Já enumeramos lá em cima o porquê deste desafio. Sim! Vale muito a pena. Por isso, não vou escrever aqui desvantagens de viajar leve. Pois o objetivo desta matéria é mostrar que isso é possível. Desde que você se disponha a mudar.

Este processo de desapego parece ser uma tendência mundial. Se por um lado dá uma sensação literal de leveza, por outro é uma necessidade para a evolução do planeta, em uma visão filosófica.

O que levar

Ter itens mais apropriados é importante na montagem de sua bagagem. Não é necessário um investimento financeiro. Você pode buscar entre seus pertences os mais versáteis para compor uma  bagagem leve como, por exemplo:
Reaproveite embalagens com menos de 100 ml

  • Embalagens com até 100 ml já utilizadas (reciclar ajuda ao planeta) poderão ser úteis para colocar xampus, hidratantes, etc;
  • Embalagens miúdas para os cosméticos faciais;
  • Roupas curingas: tenho uma saia preta que rende pelo menos seis looks noite. Útil em cruzeiros longos;
  • Uma boa calça jeans (leve a sua melhor, que veste melhor, que você usa em qualquer ocasião - preferível que não seja muito clara);
  • Uma boa calça preta;
  • Uma camisa jeans (esta faz papel de camisa e jaqueta)...
  • As peças blue jeans como shorts, calças, camisas,  jaquetas, podem ser super úteis. Tudo depende do seu estilo e de para onde vai. Combinam com quase tudo;
  • Um cinto dupla face é a melhor opção;
  • Sua echarpe preferida (ajuda muito nos dias mais frios e também pode mudar totalmente a cara de um look);
  • As bijoux que mais usa (cuidado para não querer levar muitas).
Estes são alguns exemplos do que você já pode ter em casa. 

Peças básicas podem render muitas composições na mala com menos de 10 quilos
Não se esqueça de levar uns três saquinhos tipo zip lock (saquinhos transparentes com fecho semelhante a um zíper). Uma exigência da segurança dos aeroportos para verificar sua bagagem que contenha líquidos - com no máximo 100 ml).

Se você puder, invista na aquisição de uma mala super leve, com 1,8kg. Um casaco tipo da Uniqlo (aquele com pena de ganso que dobrado é leve e compacto e, no frio, é um grande quebra-galho - aguentou 0 grau Celsius). 

Lembre-se que a escolha dos tecidos será importante no volume e peso final. Dê preferência também a tecidos que não amarrotem tanto. 

Meu grande problema eram os cosméticos que levava para manter meus cabelos volumosos, cacheados e secos, com aspecto saudável. Mas decidi desapegar e ir comprando o que encontro pelos caminhos, após esgotar o que levo desde casa, nas embalagens de 100 ml. Nada é perfeito. Mas cheguei a conclusão que a sensação de liberdade de viajar leve compensa esses pequenos detalhes!

# FOTOGRAFAR SEM COMPRAR

E as compras? Isso já foi um problema! Pois em viagens sempre dá uma vontadezinha de levar uma novidade para casa. Mas se você, como nós, vai passar por vários lugares, levar muitas coisas pode virar um percalço. É compreensível que em suas primeiras viagens você seja seduzido pelas novidades. Mas tente deixar para fazer comprinhas no último destino que visitar. Assim não terá que carregar quilos extras em sua bagagem.

Comprar ou não comprar: eis a questão! Leia mais aqui.

Um recurso que tem me ajudado muito a controlar ímpetos consumistas é fotografar meus objetos de desejo. Guardo as fotos e em praticamente 98% das vezes percebo que aquilo não seria mesmo necessário. Principalmente porque, com a globalização, achamos praticamente tudo por todo o mundo. Por isso, se vai comprar, procure adquirir apenas o que é necessário e realmente valerá a pena!
Na última viagem levamos quase cinquenta dias adquirindo objetos de consumo como sabonetes, pastas de dente, hidratantes, alimentos, guloseimas, chips de telefone, tudo sendo consumido ao longo do caminho.  Eterno encher e esvaziar de malas!

Lavar roupas em viagem

Na última viagem lavamos o primeiro lote de roupa quase 20 dias depois do embarque, em uma casa Airbnb, em Copenhagen.

Depois fomos lavar roupa novamente em Montreal (quase 20 dias após Copenhagen) em outra casa de Airbnb, com máquina de lavar e de secar. 

E quase vinte dias depois, em Daytona Beach, fizemos outra grande lavagem de roupas, desta vez em uma laundry (local para lavar roupa) pública. 
Leia aqui matéria sobre laundry no exterior.

Peças íntimas, de banho e de ginástica, vamos lavando nas pias de hotéis e navios, por onde passamos. 

Como se vestir com nove quilos na mala?

Cada um tem seu estilo de vestir. Isso é muito pessoal. No meu caso, sou vaidosa, sem ir ao extremo. Alguns acessórios ajudam muito a compor looks. Por isso, mesmo que moderados, não abro mão deles. 

Clique aqui e veja o conteúdo de minha mala para 59 dias.

Outros itens é preciso ter cautela ao carregar. Pense sempre em uma mala para uma semana. Leve peças bem básicas que combinem entre si. Leve apenas roupas que você realmente goste e use muito no seu dia a dia. Resista a levar aquela blusa que talvez seja útil, apesar de você raramente usar. Não tente milagres de sacos sugadores de ar, embalagens mirabolantes, etc. 

Pratique de verdade o desapego, pois além de enxuta, o objetivo é levar uma mala leve! Não tenha medo. Se faltar, em último caso, compre lá. Mas estude muito o que vai levar. Isto é uma prática que pode ser bem aprendida. Mescle sempre itens para frio e calor, se vai vivenciar dois climas, sem exagerar nas quantidades. 

Mala ou mochila?

Em grande parte do texto me refiro a mala/mochila, mas pessoalmente prefiro a mala com rodinhas. Até porque tenho limitações na coluna, que não permitem levar peso. Mas sob outro ponto de vista, gosto do espaço quadrado que permite as roupas ficarem mais organizadas e menos amarrotadas. E, depois de um tempo, a mochila, por mais leve que seja, acaba pesando nas costas. 
Mala com menos de nove quilos vai a qualquer lugar do mundo
Dica principal

Resista a vontade de ter com você coisas que não tem certeza se usará: guarda-chuvas (se acabar chovendo, compre um por onde estiver). Secador de cabelos (certifique-se se onde estará disponibilizarão). Roupas demais, quando umas poucas peças serão mais que suficientes. Viajando é que a gente descobre precisar de muito menos que imagina para viver. 

Conclusão

Na última viagem, com 59 dias de duração, a mala foi bem mais reduzida e versátil que aquela da matéria de cinco anos atrás. E o que parecia impossível para mim agora está claro: posso levar menos ainda do que os nove quilos e continuar vivendo muito bem independente de onde for e por quanto tempo. Cada viagem, uma nova experiência. Repensamos a necessidade de adquirir um leitor de livros digitais (kindle), apesar de sermos resistentes a tanta tecnologia. Gostamos do papel! Mas dá para comprar revistas ou livros pelo caminho e ir deixando os mesmos para outras pessoas lerem (em hotéis, trens, bibliotecas...). 

Percebemos que deu para passar muito bem com pouco e que poderíamos ter ido com menos ainda. Nos certificamos de que, quanto mais leves melhor! 

E já estamos arrumando outra mala para mais um mês, ainda mais leve. Até porque os bilhetes adquiridos com a TAP surpreenderam com franquia low-cost de oito quilos a bordo!😱😱😱

Apesar deste texto focar uma mala feminina, homens podem seguir as dicas e também usufruir dos benefícios de reduzir a bagagem.

Desejo que esta matéria seja inspiradora para você organizar sua mala, lembrando que isso é muito pessoal. 

Se você tiver dicas, dúvidas ou comentários que possam ajudar outros leitores, serão muito bem vindos! 

8 comentários:

  1. Concordo totalmente com a ideia de que a mala de mão é super indicada para viagens, até mesmo as mais longas.Pela primeira vez em uma viagem de 24 dias,pela primeira vez em uma viagem ao exterior, me vesti de coragem e atendi ao pedido do meu marido e arrumei uma mala de mão para viajar.Não é que funcionou mesmo? Minha mala continha dez blusas,cinco calças compridas, 10 calcinhas, 5 soutiens, 3 calçados fechados e 1 aberto,2 casacos,alguns acessórios, alguns itens de higiene pessoal e foi o que me bastou... incrível como facilitou a locomoção e até mesmo a possibilidade de pegar um vôo antecipado e de última hora por conta de um cancelamento...acho perfeita a dica!

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  2. Adorei seu depoimento, Luciana! Bom ver como cada um se adapta as necessidades próprias. Basta coragem para mudar. E quando a gente decide vale muito a pena! Viajar leve é libertador! Obrigada por compartilhar sua opinião!!

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  3. Carlos Henrique Pires Borges26 de agosto de 2019 23:42

    Excelente. Ótimas dicas. ������������������

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    1. Obrigada por compartilhar aqui suas impressões!!👍👍😊

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  4. Isso mesmo. Concordo plenamente com tudo. E procuro proceder assim.
    Ainda mais que com quase 80 anos e viajando as vezes sozinha preciso de mt "leveza"

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  5. 👏👏👏É bom ouvir opiniões tão experientes como a sua, Marina! Agradecemos sua simpática visita!!

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  6. Adorei as dicas e os looks!! Mto elegante! Bjxx

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  7. Obrigada pelo incentivo e pela sua visita!!☺😘😘

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